Um dos estados com mais mortes no trânsito em todo o Brasil, o Paraná registrou em menos de 24 horas duas grandes tragédias nas estradas. Na manhã de terça-feira, um engavetamento gigantesco causado por uma carreta na BR-277, na Serra do Mar, deixou duas pessoas mortas e outras 18 feridas. Já na madrugada de quarta, uma ocorrência ainda mais grave: uma colisão frontal envolvendo um caminhão e um micro-ônibus na BR-373, nos campos Gerais do Paraná, deixou 23 pessoas mortas – entre elas duas crianças -, além de cinco feridos.
O primeiro caso ocorreu na altura de Morretes, no Litoral do Paraná. Uma carreta que transportava madeira e descia a Serra bateu contra dois caminhões e sete carros. Um casal, de 71 e 73 anos de idade, identificados como Itainá Tadeu Scorsin e Walkiria Sass Scorsin, faleceu por conta do acidente. Já o motorista da carreta foi detido pela Polícia Rodoviária Federal e entregue à Polícia Civil. Segundo a PRF, o veículo que ele conduzia estava com alterações no sistema de freios: pelo menos duas mangueiras estavam “isoladas”, o que faz com que as rodas ligadas a essas mangueiras fiquem sem freio, sobrecarregando ainda as demais rodas do veículo.
Já a tragédia mais recente ocorreu entre os municípios de Imbituva e Ipiranga. As evidências preliminares apontam que um caminhão SCANIA/P320 B8X2 com placas de Erechim, no Rio Grande do Sul, invadiu a faixa contrário e bateu de frente contra um ônibus da Secretaria de Saúde de Imbituva, que levava pacientes do interior para hospitais da Grande Curitiba. 23 pessoas morreram, sendo duas crianças e 21 adultos (13 mulheres e oito homens). Entre os mortos está o motorista do caminhão, Alex Rivail Machado da Silva, que era morador de Castro, outra cidade dos Campos Gerais.
Paraná é o terceiro estado com mais mortes no trânsito
De acordo com dados do Ministério da Saúde, extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o Paraná é o terceiro com mais mortes no trânsito em todo o país. Entre janeiro de 2016 e maio de 2026 (último mês com dados disponíveis), 27.081 pessoas faleceram no estado em decorrência de acidentes de transporte terrestre. Só em 2026 já houve 903 óbitos nas estradas, enquanto em 2025 e 2024 registraram 2.700 e 2.852 mortes. Os dados de dois anos atrás, inclusive, representam o maior número de mortes no trânsito num único ano desde 2014 no estado.
Para se ter uma dimensão do que esses números representam, as mais de 27 mil mortes no trânsito paranaense entre 2016 e 2026 equivalem a sete mortes por dia, em média. Nesse mesmo período, houve ainda 357.303 óbitos em ocorrências desse tipo em todo o Brasil, o que significa que o Paraná responde por 7,6% dos registros no país. Entre todas as unidades da federação, apenas São Paulo (52.513) e Minas Gerais (34.217) tiveram mais mortes no trânsito do que o Paraná em número absoluto.
Além disso, há um outro dado que chama a atenção. É que caminhões e ônibus representam só 5,5% da frota de veículos no Paraná, com 513.592 unidades. No entanto, esses veículos estão envolvidos em 21,3% das mortes em acidentes de transporte terrestre. As principais vítimas são ocupantes de automóveis (2.544 óbitos), motociclistas (1.502) e pedestres (709). Já os ocupantes de veículos pesados morrem, principalmente, em acidentes sem colisão (489 ocorrências) e em colisões com objetos fixos ou parados (102 mortes).
Acidente nos Campos Gerais é o mais trágico dos últimos 30 anos no Paraná
O acidente ocorrido na madrugada de quarta na BR-373 está entre os mais trágicos na história do Paraná, informou a PRF. A última vez em que um acidente tão grave ocorreu foi em janeiro de 2021, quando uma ocorrência com um ônibus na BR-376, em Guaratuba, no litoral do Paraná, deixou 19 pessoas mortas. Na ocasião, um ônibus com placa de Belém, no Pará, tombou às margens da rodovia, num trecho conhecido como Curva da Santa.
Antes disso, um acidente registrado em 29 de dezembro de 1993 causou a morte de 45 pessoas. No caso, um ônibus que fazia a linha Fazenda Grande-Curitiba bateu de frente com um Fiat Uno na BR-116. O ônibus despencou de um barranco de sete metros e mais de cem pessoas estavam no coletivo, numa situação que terminou com dezenas de feridos. Já em outubro daquele mesmo ano, outras 43 pessoas morreram na BR-277, na Serra de São Luiz do Purunã. Segundo a PRF, um ônibus com moradores de Tupã, interior de São Paulo, estava indo para Blumenau e o motorista dormiu na curva e tombou
Foto: Beth Santos/Secretaria Geral da PR