O governo decidiu aumentar a mistura de etanol na gasolina comum de 30% para 32% por 180 dias, prorrogáveis por igual período. Trata-se de uma medida para tentar evitar aumentos nos preços da gasolina após a retomada da Guerra no Irã.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a nova mistura levará a uma redução de R$ 0,03 por litro na bomba. A medida começa a valer em 1º de agosto.
A medida foi tomada na reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) desta terça-feira (14) após sucessivos adiamentos. O aumento era defendido por integrantes do agronegócio e tem como um de seus objetivos tentar mitigar os efeitos da alta do petróleo sobre o preço dos combustíveis.
Desde que irrompeu a Guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o preço do barril de petróleo explodiu em todo o mundo com o fechamento do Estreito de Hormuz. É pelo local que cerca de 80% da produção mundial deste combustível passa.
As tensões voltaram a crescer nos últimos dias com uma nova ofensiva do governo de Donald Trump sobre o país persa.
Embora a Petrobras controle grande parte do mercado nacional de gasolina, a alta do barril afeta o preço hoje, cerca de 15% deste produto vem de fora do país. Dessa forma, aumentar a mistura de etanol tem como potencial reduzir essa variação.
A expectativa do Ministério de Minas e Energia é que a mudança dos chamados E30 para E32 pode substituir a importação de 450 milhões de litros de gasolina pelo Brasil.
O ministro da pasta, Alexandre Silveira, afirmou ainda que pretende fazer com que a nova mistura seja tornada permanente, mas que para isso uma nova resolução precisa ser votada no CNPE e que, neste momento, o governo adotou uma decisão mais cautelosa tendo em vistas o contexto da guerra.
O aumento do etanol na gasolina sofre resistência de parte do setor automobilístico, que teme que a nova solução danifique os motores o governo defende que os testes químicos já realizados garantem que isso não aconteça.
Outra medida aprovada pelo CNPE nesta terça feira é uma resolução que vida a importação de biodiesel no Brasil. Hoje, a regra define que o diesel deve ter uma mistura de 15% de seu equivalente sustentável. Antes, foi autorizado que até 20% deste patamar fosse atingido usando produtos de fora do país.
A nova resolução do conselho determina que todo esse percentual (o chamado B15) seja alcançado exclusivamente com o produto nacional
Foto: José Cruz/Agência Brasil