A Polícia Civil do Paraná, por meio da Delegacia de Polícia de Ibiporã, deflagrou nesta data a Operação Fundo Falso, destinada ao cumprimento de medidas cautelares em investigação que apura, em tese, a prática dos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e associação criminosa.
A investigação identificou um possível esquema criminoso que utilizava falsas promessas de liberação de valores do FGTS para enganar trabalhadores. As vítimas eram convencidas a acessar links, realizar reconhecimento facial e assinar documentos eletrônicos acreditando estar autorizando procedimentos relacionados ao FGTS.
Contudo, acabavam contratando empréstimos consignados em seus nomes e, posteriormente, eram orientadas a transferir parte dos valores recebidos aos investigados sob a falsa justificativa de conclusão da operação. Somente depois percebiam os descontos mensais em seus salários.
A Justiça deferiu 6 mandados de prisão temporária e 7 mandados de busca e apreensão, medidas consideradas necessárias para o avanço das investigações. A Polícia Civil esclarece que as prisões temporárias possuem natureza exclusivamente investigativa, permitindo a realização de interrogatórios, acareações, análise dos materiais apreendidos e demais diligências destinadas ao completo esclarecimento dos fatos e à identificação da participação de cada investigado.
As investigações prosseguem e novas informações poderão ser divulgadas oportunamente, desde que não comprometam o andamento da persecução penal.
"O golpe era relativamente simples, mas bastante convincente. Os investigados procuravam trabalhadores afirmando que conseguiriam liberar valores do FGTS, antecipar recursos ou migrar empréstimos para uma modalidade supostamente mais vantajosa, sem descontos no salário.
Confiando nessas informações, as vítimas seguiam as orientações recebidas, acessavam links enviados pelos suspeitos, realizavam reconhecimento facial e assinavam eletronicamente documentos acreditando estar autorizando apenas procedimentos relacionados ao FGTS.
Na realidade, esses procedimentos resultavam na contratação de empréstimos consignados em nome das vítimas. Assim que o dinheiro era depositado em suas contas, os investigados orientavam que parte desse valor fosse transferida para contas indicadas por eles, sob a justificativa de que seria necessária para concluir a operação ou efetivar a suposta migração para o FGTS.
Somente depois, ao consultarem seus contracheques ou extratos, as vítimas percebiam que haviam contratado empréstimos que gerariam descontos mensais em seus salários e que os valores transferidos jamais retornariam. Em outras palavras, elas acreditavam estar realizando uma operação ligada ao FGTS, quando, na verdade, haviam sido induzidas a contratar um empréstimo e a entregar parte do dinheiro aos fraudadores."
Operação Fundo Falso recebeu esse nome porque a organização criminosa investigada utilizava o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como elemento central da fraude. Os investigados atraíam as vítimas com falsas promessas de liberação de valores, saque de juros, antecipação de recursos ou migração de empréstimos supostamente vinculados ao FGTS