A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), uma operação para desarticular um grupo criminoso especializado na exploração sexual e na redução de vítimas à condição análoga à de escravo no Oeste de Santa Catarina. Durante a ação, foram resgatadas uma mulher de origem argentina e sua filha, de 3 anos.
Também foram realizadas duas prisões em flagrante: a de uma mulher apontada como responsável pelo estabelecimento investigado e a de um homem que mantinha a criança em cárcere privado, afastada do contato com a mãe.
Ao todo, foram cumpridos mandados de busca em três endereços residenciais e comerciais em São Lourenço do Oeste (SC) e em um endereço no município de Vitorino (PR). Houve ainda o bloqueio de cinco veículos e a quebra de sigilo de dados digitais e telemáticos dos investigados.
A operação é resultado de uma investigação conduzida pela Polícia Federal com apoio da Polícia Civil, iniciada após o registro formal de denúncias por parte das vítimas e a prisão em flagrante de um dos integrantes do esquema.
De acordo com a PF, o grupo atuava de forma estruturada, aliciando pessoas com promessas falsas de altos ganhos financeiros. Ao chegarem ao local, as vítimas eram exploradas sexualmente e submetidas a um rígido sistema de controle.
Para impedir fugas, os criminosos impunham um regime de servidão por dívida, cobrando valores abusivos por alimentação, hospedagem e até taxas punitivas arbitrárias. Além disso, as vítimas tinham documentos e celulares retidos, eram monitoradas por câmeras de segurança e sofriam intimidações constantes, incluindo agressões físicas contra quem demonstrasse intenção de deixar o local.
A operação contou ainda com o apoio de servidores do Ministério Público do Trabalho.
Os investigados poderão responder por crimes como redução à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, cárcere privado, lesão corporal e lavagem de dinheiro, entre outros.